terça-feira, 6 de setembro de 2011

Parábola

Acordou João a fome, cercado por pobreza, consumido pela terra, onde nada cresce. E acordou João uma lágrima do teto, batidinhas na janela, e uma chuva forte que fez ele voltar... Acordou João, o pastor do campo, vindo recolher o que pertence ao senhor. Acordou João, enfim depois de anos, João acordou.

Se jogando na verdade, na rua, usa as veias da cidade, rápido e leve, precisa de valor, rouba o que brilha, deixa toda cinza e vazia. Se jogando pela frente, olhando no olhar, nunca! se metendo na sombria da gente, escapando luz do dia, mesmo a meio dia, ele era mestre, ele era João.

Fugir... Fugindo...

Cansa e descansa - Para e dispara - Toma e Retoma - Resolve na noite - Fugir - de Deus.

Aproveitou o fluxo, a briga do trem cheio, puxou a folha verde da bolsa aberta, e começou a ler... Folha proclamando, em muita fala rica, a missa do domingo, gente de fala rica, deve brilhar tanto, mas tanto! pensou  João.

Fugir até tentou, mas como abrir mão das ovelhas do senhor sem sequer provar qual corte tem a fé? Fui ele mesmo, querendo enganar, se escondeu no fundo, e se sentiu exposto, sendo exibido para todo olhar. Para chegar no padre, que tinha a chave, ele se aproximava uma linha do altar. De dias em semanas, o tempo foi passando, João escutando colado ao altar, a palavra de Deus.

Num domingo frio, se a chuva trouxe vento , o povo levantava, para se opor. Naquela comoção, João meteu a mão, apanhou a chave, e fugiu para sempre, fugiu com o Senhor.

   








    

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