domingo, 18 de setembro de 2011

Antes de tudo

Antes de tudo... tinha nós,
Tinha paz e houve amor,
E tristeza não
Fazia mal,
Só lembrava de dias bons,

Antes de tudo... tinha nós,
E nos momentos,
Nós fomos santos,
Quando deitamos,
A terra parou... 

Antes de tudo... tinha nós,
Tinha fartura, 
E vinho tinto,
Da cor do seu cabelo,
Da cor daquela noite...
Onde ainda estou.

Antes de tudo... tinha nós,
Me conte agora,
Da sua vida nova, é linda
Como sempre imaginou?
Existem flores? e os amores
Hoje são melhor?


Antes de tudo... tinha nós,
E volto eu, para coletar 
Aqui um pedaço, 
Que faz lembrar,
Diga ontem
Foi tão bom assim?
Que esquecer é sofrer, sem fim. 

Toque o violão... o povo anda sem noção... toque o violão, o povo anda sem emoção...

E Eu choro... na solidão....
Temo dias quando cala-se 
Essa canção,
Choro porque musica 
Eu tenho não,
Antes tinha, 
Quando tinha, paixão.

Antes de tudo... tinha nós.
Então cante logo por favor!
Deixe a voz matar a dor,
Se não sobrar, nada pro mar,
Jogue perfume, e poesia, fotos de quando tinha nós...    



sábado, 10 de setembro de 2011

Oi Amiga

Que sorte, esse toco seu....
Que graça num carinho, num beijinho, e pronto já passou...
Pronto esqueci,
pronto perdoei,
você...

Que linda, essa nuvem no céu,
Esse sentimento meu,
o mundo pode desabar,
acabar,
fugir e só
depois
voltar...

Eu serei,
eternamente
e por vontade,
amarrado ao seu amor

Eu fiz,
das minhas grades,
e das saudades
uma casa sem dor...

Que grande sorte,
você existe,
e dividir um mundo com você...
Pena seria
apagar historias,
arrancar flores, arranhar cores... recomeçar mais uma vez...
Na espera de criar... você.

Oi Amiga,
Eu gosto quando tu viajas não...
e tenho,
de ter nascido,
uma cigana
lamentão...

Amiga..
Mesmo perto se não fosse nos meus braços, não aguento ter...
E prefiro, com lágrimas escorregando, escrever...
Do que dando risada no bar
Cercado de gente num lar,
qualquer,
Se não fosse pela sua mão,
não aguento ter...


terça-feira, 6 de setembro de 2011

Parábola

Acordou João a fome, cercado por pobreza, consumido pela terra, onde nada cresce. E acordou João uma lágrima do teto, batidinhas na janela, e uma chuva forte que fez ele voltar... Acordou João, o pastor do campo, vindo recolher o que pertence ao senhor. Acordou João, enfim depois de anos, João acordou.

Se jogando na verdade, na rua, usa as veias da cidade, rápido e leve, precisa de valor, rouba o que brilha, deixa toda cinza e vazia. Se jogando pela frente, olhando no olhar, nunca! se metendo na sombria da gente, escapando luz do dia, mesmo a meio dia, ele era mestre, ele era João.

Fugir... Fugindo...

Cansa e descansa - Para e dispara - Toma e Retoma - Resolve na noite - Fugir - de Deus.

Aproveitou o fluxo, a briga do trem cheio, puxou a folha verde da bolsa aberta, e começou a ler... Folha proclamando, em muita fala rica, a missa do domingo, gente de fala rica, deve brilhar tanto, mas tanto! pensou  João.

Fugir até tentou, mas como abrir mão das ovelhas do senhor sem sequer provar qual corte tem a fé? Fui ele mesmo, querendo enganar, se escondeu no fundo, e se sentiu exposto, sendo exibido para todo olhar. Para chegar no padre, que tinha a chave, ele se aproximava uma linha do altar. De dias em semanas, o tempo foi passando, João escutando colado ao altar, a palavra de Deus.

Num domingo frio, se a chuva trouxe vento , o povo levantava, para se opor. Naquela comoção, João meteu a mão, apanhou a chave, e fugiu para sempre, fugiu com o Senhor.