quarta-feira, 20 de abril de 2011

A moeda

A poeira não nós toca, ela não pode nós esconder,
 passado passa passa... ela não vai nós esquecer.


A moeda dança na sua mão, o sino toca na distancia,
Estou ouvindo me chamar, repetindo "não ainda", "não ainda"...


O vento pode nos levar, há terras novas para ver,
mas não pode separá-los, amores lindos abraçados, seres pequenos ligados.


Tivemos que tomar o vinho, dos poços do sol e do mar
Essa vida vem juntada com ultimo fôlego de ar.


Esse mundo não entende, nem cabe o nosso grande amor,
Tantas almas estão fechadas, tanta fome, tanto dor.


Aí sortuda é você...
de tanta saudade a você,
nada mais tem gosto aqui
nada mais do que senti, mais do que menti, aqui.


Aí sortuda é você...
de tanta saudade a você,
até a chuva vem sarar, até os anjos vão chegar, vou esperar.


E tudo volta a ser bom, a gente volta a cantar,
a moeda dança na sua mão, o sino que vem tocar,
a moeda dança na sua mão, o sino que vem tocar...









segunda-feira, 4 de abril de 2011

Inimiga

Abençoados são os que sabem. Aqueles que depois de uma longa vida, sabem que não sabem. Porque "saber" não significa estar já chegado no seu destino, "saber" constitui o caminho indo para lá. Não basta nascer com a cruz, tem que carregá-la subindo a Gólgota, isso é "saber", "saber" não fica na luz ao final do túnel, mas nos fantasmas de sombras nos seus lados escuros. Abençoados são os que sabem hoje mais do que ontem, e amanhã mais do que hoje, os que procuram saber em todos os lugares,  todos os tempos, todas as línguas, todas as disciplinas, os que não temem saber. 

Abençoados são os profetas que Deus não preparou, mas adotou só depois. Aqueles que falaram a verdade que ninguém quis ouvir, falaram nas cadeias, falaram nas trevas, falaram do azar do homem que não come do que ele planta [...] Aqueles que fizeram mais do que falaram, e sabiam que o bom exemplo vive engolindo as palavras de gênios e tolos. Abençoados são os profetas porque saíram das suas casas calorosas para as ruas frias da madrugada, das suas prezadas certezas para o pavor das duvidas, das suas multidões para a desolada solidão. 

Tenha medo não. Deus não me criou para machucar os pobres. Mas os fortes devem me temer, nessa concorrência levarei o confronto até as suas camas. Eu dei uma promessa ao Demônio, não vou decepcioná-lo. Eu estava lá completamente sozinho, e de repente não me senti mais com medo dos raios. Eu voltaria um dia com legiões do meu lado, e a pobreza inimiga vai tremer. Deus não me criou para machucar os pobres, Deus me criou para machucar a pobreza.